Novela

O Dia em que a Estrada Acaba – Capítulo I

O dia acordara e apanhara-o no caminho, na estrada fria e molhada pelas farripas de chuva gelada; como já era habitual há algum tempo. E o sol, como sempre – naquela altura do dia -, começava a querer surgir por entre as nuvens pesadas de água e a ameaçar inundar de luz aqueles canaviais que o rodeavam. E, isso, não era uma coisa boa…

Xavier parou, já pesado do cansaço, e conferiu o seu saco de viagem; um pedaço de lona verde, e velha, apertada por um cordel nas pontas. O conteúdo era parco e já não tinha muita coisa: meio pão – que teria de dar para os próximos dias; e um coto de chouriço.

Num suspiro desalentado, olhou em volta, meteu o pé fora da estrada e refugiou-se por entre as canas altas que dançavam ao sabor do vento.

Aqueles canaviais eram a sua casa; nos últimos tempos; desde que fugira… Só entre eles é que se sentia seguro. E até poderiam estar infestados de ratos e insectos, mas não se importava com isso, porque deles nada tinha a temer; deles conseguiria defender-se, se fosse preciso, e nenhum deles o iria denunciar.

Procurou um recanto, sentou-se e espraiou a sua sacola verde. Tirou o canivete do bolso das calças, cortou uma boa fatia de pão e dividiu o coto de chouriço ao meio. Depois, tão sossegado quanto conseguiu, comeu a única refeição do dia. Quando a terminou, deu por si a pensar – com pena – que teria ido bem um copinho de tinto; mas isso era coisa de outros tempos e, conformado, arrumou tudo muito bem e atentou aos ruídos que o rodeavam: nada mais eram do que o habitual.

Durante o dia, apenas se ouvia o vento; uma música que já conhecia bem e que parecia agradar tanto aos canaviais que eles dançavam irremediavelmente encantados por ele. Mas à noite ouviam-se outras coisas…

As noites, por vezes, podiam ser assustadoras. O breu imenso engolia-o – protegia-o, também, pois ocultava-o no negrume -, mas obrigava-o a estar atento, porque havia mais perigos; humanos e, talvez, não tão humanos. Ele nunca fora muito dado a crendices, mas às vezes escutava sons inexplicáveis, ruídos estranhos que não conseguia a atribuir a nada que conhecesse e isso punha tudo sob perspectiva. Ainda assim, desses, ainda que o inquietassem, não tinha medo; o que o aterrorizava era o som de um carro, vozes de gente, passos de corrida, cães – cães que o poderiam estar a perseguir – a ladrar …

No entanto, naquele momento, nada disso havia; era de dia e, tudo que se ouvia, era o vento nos canaviais. Descansado – tanto quanto podia -, deitou a cabeça na sacola e adormeceu.

Acordou apavorado quando o sol começava a descer no horizonte. E, meio estremunhado e sobressaltado, agarrou nas suas coisas e começou a abrir caminho, com cautela, por entre as canas.

Nos primeiros dias, julgara que eram os pesadelos que o acordavam daquele modo acelerado, pronto a fugir; que era o medo que lhe levava o coração à boca e o impedia de respirar. Mas depressa entendera que não eram os pesadelos, era só o medo; esse, sim, assombrava-o mais do que a própria noite e os estranhos ruídos: tinha medo de ser apanhado… Tinha pavor de adormecer livre e acordar enclausurado. Tinha tanto pavor que, às vezes, até receava que estivesse a sonhar que fugia quando, na verdade, estava preso, atirado para algum calabouço a cheirar a podre, esquecido no meio da própria merda e mijo, a delirar com os dias de fraca liberdade que já não tinha. E, quando acordava nesse estado de espírito, valorizava cada passo duro, e dorido, cada naco de pão e couto de chouriço engolidos a seco, cada descanso embalado pelo vento no meio das canas…

Espreitou a medo, à beira do canavial, e perscrutou a estrada, para cima e para baixo: estava vazia. E isso significava que poderia voltar ao seu caminho gélido e desconfortável; ainda assim, o único caminho que tinha onde poderia ser livre.

Quando o sol se pôs, atravessava uma povoação. Não lhe vira o nome, não reparara na tabuleta; o saber poderia ser perigoso porque poderia trazer a morte a inocentes e, por isso, sempre que podia, evitava aprender. Mas nem sempre fora assim. Antes – antes de tudo aquilo – devorava tudo o que podia; queria aprender e saber tanto quanto pudesse. No entanto, agora, isso já não lhe interessava e evitava tanto aprender quanto tentava, naquele momento – e sempre -, passar despercebido por entre a gente que o via; mas isso era impossível: estava andrajoso e era um desconhecido.

O povo que vivia oprimido pela miséria de uns e de outros – que era a miséria de todos -, infelizmente, não era solidário. Havia gente mesquinha que via, nessa miséria em que se vivia, a possibilidade de ganhos; gente, até, que não se furtava a mentir só para poder ficar com as coisas dos outros, ou ganhar uns trocos, indiferente às consequências nefastas das suas atitudes egoístas. E ele sabia que ali – no meio de desconhecidos – nada mais era do que uma presa; sentia-os, escondidos na penumbra, olhando-o em silêncio, perguntando em surdina:

«Do que foges tu, desgraçado?»

A triste verdade era que qualquer um daqueles homens, e mulheres, por detrás das suas roupas humildes de gente do campo, poderia ser um bufo. Porque o denunciariam?

Talvez, até, e só, pelo saco que trazia… Poderia levar-lhes a mal?

Uma parte de si, sim; e odiava-os. Mas outra compreendia-os; eles não sabiam o que ele levava ali, no saco: poderiam ser riquezas inimagináveis. E a miséria era tanta…

Xavier apressou o passo. Não haveria nada a fazer quanto ao que iria na cabeça dos outros, mas não iria arriscar mais; não iria pôr-se a jeito de que alguém o denunciasse à polícia ou pior… Por isso, enfiou a cabeça entre os ombros e atravessou a povoação em poucos minutos. Depois, tentou desaparecer na escuridão da estrada e, de novo envolto pelo breu, desejou poder continuar a ouvir os ruídos estranhos – e que o inquietavam – e a comer o pouco que comia por muito mais tempo…

“Onde vais, tu?”

Ele parou; em terror. As pernas fraquejaram-lhe tanto que se sentiu – por instantes – a cair e sem forças; mas prosseguiu o seu caminho. Tinha esperança de ter sido traído por algum ruído que mal escutara; algum som que lhe chegara do mato, em volta…

“És surdo?”

Sem espaço para continuar alimentar a desejada ilusão, reduziu a passada, atento à nova pergunta. Era uma pergunta que, como a anterior – diria –, poderia ter sido feita pela própria noite: a voz era feminina e fria. Mas, motivado por se tratar da voz de uma mulher, achou que poderia ignorá-la, porque dificilmente uma mulher o apanharia. Por isso, voltou a caminhar…

“Olha para ele; cheio de pressa!”

Duas candeias surgiram da beira da estrada, à sua frente, empunhadas por dois homens corpulentos. Xavier travou e pensou que – afinal – talvez fossem apenas assaltantes; não tinham ar de outra coisa. E isso sossegou-o; ser assaltado não era bom – até porque não tinha nada e poderia não se livrar de uma tareia -, mas seria melhor do que levar tareia por dias seguidos até que o matassem.

Sentiu que alguém se aproximava, atrás de si; eram passos leves e calculou que fossem da mulher que falava.

“Deixem-me ir…” pediu, sem se voltar. “Não tenho nada de valor!” Ergueu o saco. “Tenho um pedaço de pão e um pedacito de chouriço… Nada mais!” O silêncio foi tudo o que recebeu em troca da sua sinceridade e isso enervou-o; começou a tremer. “Por favor, deixem-se seguir o meu caminho…”

“Estás mesmo cheio de pressa!” disse ela, mesmo nas suas costas.

Mas ele manteve-se quieto, sem coragem para a encarar. É que ouvira falar de uma mulher má e cruel… Um amigo seu – o Manuel – contara-lhe o que ouvira sobre ela; o que eles lhe haviam dito, entre uma chapada e outra, só para o amedrontar:

«Ela mastiga-te, chupa-te o sangue e cospe os ossos… “

“Deixa-me ver a tua cara!” pediu a mulher que o abordara.

Xavier anuiu; que outro remédio teria?

Se fosse essa mulher; seria.

Um dos homens corpulentos aproximou-se, num passo apressado, e fez chegar a candeia ao seu rosto. E enquanto ele sentia o fraco calor da chama que o alumiava, viu-a: era uma bolachuda rapariga de olhar azul e duro; observava-o e comparava-o com um pedaço de uma página de jornal; tirava parecenças.

“É ele!” afirmou para o homem; um rapaz de campo com um farto bigode. “És tu, não és?” perguntou-lhe, mostrando-lhe o desenho na folha de papel jornal. “Responde! Não tenhas medo…”

Ele confiou e, depois de observar a figura que lhe mostravam, concluía que, se não era ele, era o diabo por ele; e assentiu.

“Eu bem vos disse!” dirigiu-se, ela, aos outros, num tom orgulhoso. Depois virou-lhe as costas e afastou-se. “Tragam-no!”

Xavier ainda tentou escapar. Antes que lhe deitassem as mãos, tentou dar uma corrida e enfiar-se pelos campos em redor da estrada; mas uma rasteira bem dada pespegou-o no chão…

“Mantem-te quieto, homem!” avisou, o do bigode, aproximando-se dele. “Ninguém te vai fazer mal…” Estendeu-lhe a mão e ele fitou-a desconfiado. “Anda! Está frio e tu pareces precisar de uma boa refeição…” Depois, enquanto o observava, sorriu com ironia. “Afinal… só tens um pedaço de pão e um pedacito de chouriço…”

Xavier acatou o que lhe diziam. Nem toda a gente era má e havia pessoas boas. O problema era conseguir-se distinguir umas das outras. Ainda assim, num gesto decidido, acabou por aceitar a mão que o ajudava e ergueu-se do chão.

Foi levado, entre os dois homens, atrás da rapariga. Em silêncio, e enquanto avançavam pelo caminho de cabras enlameado que lhe ia destruindo o resto das botas, tentava entender, e perceber, para onde iam; via as árvores, as rochas, arbustos e outras coisas que pudesse usar como referências, caso tivesse oportunidade de escapar.

“De nada te adianta isso, homem!” disse, do nada, o do bigode; e riu. “Até nós, que vivemos aqui, nos perdemos…” Olhou-o amigavelmente. “Além disso, não precisas de ter medo…” E apontou para uma luz que se começava a avistar ao fundo do caminho. “É já ali!”

“O que é que é já ali?”

O homem olhou-o desanimado; e até um pouco entristecido. “Um abrigo quente, uma boa refeição e uma boa noite de sono… É isso que é já ali!”

Xavier ouviu aquilo e, por muito que quisesse acreditar, tinha dificuldade em aceitar. Poderia ser apenas porque lhe acontecera o que acontecera, mas não era só por isso; o outro homem, o menos falante, preocupava-o. Poderia não falar por se sentir mal com o embuste que estavam a levar a cabo ou poderia ser só um bufo à espera da sua grande oportunidade; poderia ser tudo menos boa pessoa…

“O teu amigo não é de grandes conversas…”disse, indicando o outro com um gesto de cabeça.

“O Zé?!” perguntou admirado, olhando o outro; e sorriu. “ É normal: é surdo-mudo de nascença,” explicou. “E é o meu irmão mais novo…”

Xavier sentiu-se mal. “Desculpa…”

“Não tens culpa nenhuma!” Riu divertido. “A culpa foi do mê pai que bebia e batia na minha mãe; quase todos os dias…” Calou-se acabrunhado. “Agora já não bate em mais ninguém…”

“Morreu?!”

O outro sorriu e pareceu pensar sobre a pergunta; como se houvesse muito que dizer sobre a morte de alguém.

“Sim,” respondeu acompanhando a resposta com um meneio de cabeça. “Mas a minha mãezinha morreu primeiro. E ele… Bom; ele morreu depois.” Encolheu os ombros. “Apareceu no meio do campo com as tripas de fora…” Afrouxaram a passada; estavam a chegar. “O povo acha que foi um lobisomem…”

“E tu?”

“Eu sei quem o matou!” Olhou-o tão profundamente que o assustou. “Foi o fantasma de minha mãe…” Soltou uma gargalhada. “Acreditas em fantasmas e lobisomens?”

Xavier nunca se vira como uma pessoa de crendices populares. Os seus medos tinham causas mais reais, como as sombras que saíam da parede ou de debaixo das pedras, ou mesmo amigos que na realidade poderiam não o ser, no entanto, aqueles dias na estrada haviam-no tornado mais crédulo; ouvira coisas de arrepiar a espinha e outras de enregelar o sangue. Nunca soubera ao certo o que eram, mas – pelo sim e pelo não – não tentara descobrir.

“Temos que manter uma mente aberta…”

“Foi esse tipo de conversa que te meteu em trabalhos, homem…” gracejou a rapariga num bocejo. “Chegámos!”

A rapariga abriu a porta e Xavier agradeceu o quente que o bafejara como se fosse o próprio ar que respirava; e o nariz, tomado de vida própria, não conseguia evitar os espasmos de prazer antecipado: cheirava a comida boa.

Estava esfomeado: há uma semana que comia pão com chouriço e bebia água dos ribeiros… Talvez por isso o seu estômago tivesse roncado e levado a que todos se rissem; todos, menos o Zé, que era surdo-mudo desde que nascera.

“Bem-vindo!” A mulher, que pouco mais era que uma rapariga, puxou-o pela mão e sentou-o à mesa. “Vais comer connosco e, quando quiseres, falas…” Ele, ainda que inconscientemente, duvidou. “E só se quiseres… Não queremos nada de ti!” Virou-se para o homem de bigode. “Não é assim, Quim?!”

“É! Mas ele está desconfiado…”

“Ninguém dá nada a ninguém!” Esbracejou em resposta, irritado, olhando para um e para outro. “Mais depressa tiram do que dão… Mais depressa entendia que me denunciassem do que isto!”

“Tem cuidado com o dizes, homem!” avisou, Joaquim. “Até aqui, no fim do mundo, as paredes têm ouvidos!” Sentou-se ao seu lado, na mesa. “Aqui a gente nã quer nada de ti!”

“E porque me ajudam?”

Joaquim riu e olhou para a rapariga; quase mulher. “Já viste isto, Jacinta?” Depois observou-o. “Não quer a nossa ajuda, o homem…”

“Não é isso, Quim!” Corrigiu-o, ela. “Está assustado! Já deve andar sozinho por esses montes há muitos dias…” Sorriu; com uma qualquer lembrança. “Lembras-te de Júlio?” Joaquim assentiu. “Ele também estava arredio, com medo, desconfiado de tudo… E dias depois passou-lhe!”

“Quem é o Júlio?!” perguntou-lhes, sem se dirigir a ninguém em concreto.

A rapariga, num gesto simples, desvalorizou-lhe a questão. “Deves estar cheio de fome!” disse-lhe e, depois, voltou-se para o Zé; chamou-o num gesto. “Vem comer, Zé!”

A casa era uma construção rústica e simples. A divisão principal era aquela: uma sala ampla, com lareira, e um recanto – ao fundo – para cozinhar. Do outro lado, havia uma reentrância que deveria dar para um corredor e para outras divisões que houvesse. A luz era fornecida por dois candeeiros a petróleo e pelo indolente dançar das chamas da lareira.

A comida, um ensopado de borrego carregado de pão, estava espantosamente bem confecionada – deliciosa – e o vinho, um tinto carrascão que o Joaquim não parava de despejar-lhe no copo, estava no ponto.

“Vai com calma!” Jacinta segurou-lhe a mão quando ia a emborcar o terceiro copo. “Há quanto tempo não comes assim; ou bebes?”

Ele já não se lembrava muito bem da última refeição – digna desse nome – que tivera. “Acho que tens razão…”

“E tu – Quim – pára de lhe encher o copo! Ele não bebe todos os dias, como tu…”

“Tás a chamar-me bêbado, Jacinta?!”

“Não, meu irmão. Eu só conheci um bêbado na minha vida… “ Fez-se um silêncio, constrangedor. “Mas é verdade que bebes todos os dias; graças a deus, temos possibilidade de ter vinho na mesa e bons jantares… Mas o nosso convidado não deve estar acostumado!”

“Tu costumas beber às refeições, homem?” perguntou-lhe, Joaquim, em desafio à irmã.

“Costumo, mas tua irmã tem razão… Estou há muito tempo na estrada.” E largou o copo; mas – de repente – lembrou-se daquela manhã, no meio dos canaviais – antes de eles terem entoado a sua canção de embalar – e de como desejara um copito de tinto. “Este ainda vai…” disse, tornando a agarrar no copo, pensando que talvez não pudesse beber outro tão depressa.

“Tás a ver, Jacinta!”, disse, Quim, de olhos na irmã. “O homem tá necessitado!” Indicou-lhe o copo. “Bebe, homem!”

Xavier não se fez rogado e, sob o olhar reprovador de Jacinta, bebeu-o; mas com mais ponderação. “Por hoje está bom, Joaquim!”

“Amanhã há mais!” disse o homem, dando umas palmadinhas no garrafão.

Comeram o resto da refeição, mas não em silêncio. Entre eles, iam falando das rotinas do campo e das coisas que iam sabendo da aldeia. E ele – em silêncio, claro está – fora escutando tudo e analisando os rostos, e os gestos, daqueles que o haviam acolhido e que, de vez em quando, o miravam curiosos. Não era má gente – concluía -, mas havia ali qualquer coisa de estranho; parecia-lhe que Jacinta era a mais esclarecida dos três e ele não percebia como…

No final do jantar, Joaquim, em gestos largos e descompensados, dera-lhe umas palmadas nas costas e, num meneio de cabeça, chamara o irmão Zé. “Vamos embora, maninho! Amanhã temos trabalho cedo…”

O Joaquim não era bêbado, conforme dissera; mas, pela forma como bebia, era provável que se tornasse num. Talvez tivesse medo de se tornar igual ao pai; o tal que fora morto por um lobisomem, conforme dizia o povo, mas que ele achava que fora o fantasma da mãe. Talvez o medo disso fosse tanto que preferisse beber a viver assombrado por ele; nos pensamentos e sonhos. Ele compreendia-o; se beber não lhe coartasse a ação, talvez ele tivesse escolhido esse caminho também. No entanto, enquanto o algoz do Joaquim estava morto, não existia se não no seu pensamento, o dele estava bem vivo e poderia surgir – até – da sombra da bonita e misteriosa Jacinta.

“E eu durmo onde?” perguntou, levantando-se por sua vez, de olhos em Joaquim. “Vou convosco?”

Primeiro Capitulo (de Cinco) do conto, “O Dia em que a Estrada Acaba”
Por: P. J. Vulter (Pseudónimo do escritor Paulo J Fonseca, autor das obra “Marta”)

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