Vendas da Shoprite em Moçambique caem 16,4% no primeiro semestre – MozFlash24H
O grupo sul-africano Shoprite Holdings continua a crescer e a consolidar a liderança no retalho alimentar da África Austral, mas o seu desempenho mais recente revela uma divergência significativa entre a trajectória global do grupo e a evolução do negócio em Moçambique.
Na actualização operacional divulgada a 12 de Agosto, a maior cadeia de supermercados da África do Sul informou que as vendas das operações continuadas caíram 16,4% em Moçambique nas 52 semanas terminadas em 28 de Junho de 2026, o pior desempenho entre os principais mercados individualizados pela empresa.
Segundo uma publicação do portal “Observatório Económico”, a apreciação torna-se ainda mais relevante quando se elimina a componente cambial: as vendas caíram 10,3% a câmbio constante. Isto significa que a queda não pode ser explicada predominantemente pela conversão das receitas em meticais para rands.
A metodologia de câmbio constante utilizada pela Shoprite converte as vendas do período actual às taxas médias do período anterior, precisamente para retirar das comparações o efeito das oscilações das moedas nacionais.
Mesmo depois desse ajustamento, a operação moçambicana apresenta uma redução de dois dígitos. O contraste é significativo: enquanto o conjunto dos supermercados fora da África do Sul cresceu 7,1% a câmbio constante, Moçambique caiu 10,3%.
O resultado anual prolonga um problema que a própria Shoprite já tinha reconhecido nos resultados relativos aos primeiros seis meses do exercício. Em Março, quando apresentou as contas do semestre terminado em Dezembro de 2025, o grupo afirmou que a rentabilidade das operações fora da África do Sul permanecia desafiante e destacou especificamente as “condições adversas em Moçambique” como um dos factores que penalizaram o desempenho do segmento.
A nova actualização mostra agora que, apesar do crescimento das operações africanas no conjunto do exercício, a deterioração das vendas no mercado moçambicano persistiu. A Shoprite opera actualmente cerca de 26 lojas em Moçambique.
Em Setembro de 2025, o CEO da Shoprite, Pieter Engelbrecht, revelou à Reuters que Moçambique estava na lista de mercados sob observação do grupo. Engelbrecht associou a cautela relativamente a Moçambique às dificuldades económicas e de segurança, assim como aos sucessivos adiamentos dos grandes projectos de gás natural no norte do País. Na altura, não existia, contudo, uma decisão de abandonar o mercado.
A estratégia africana da Shoprite passou, nos últimos anos, de uma política de expansão continental para uma concentração crescente em mercados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, onde a proximidade logística e operacional com a África do Sul oferece vantagens adicionais.
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