Ruby Mining confirma ataques insurgentes junto à sua mina em Montepuez – MozFlash24H

Ruby Mining confirma ataques insurgentes junto à sua mina em Montepuez – MozFlash24H

A mineradora Gemfields confirmou esta terça-feira (30) que várias aldeias situadas nas proximidades da mina de rubis de Montepuez, na província de Cabo Delgado, foram alvo de ataques atribuídos a grupos insurgentes desde o final de Abril, situação que levou à suspensão temporária das operações da exploração.

Através de um comunicado, a  Gemfields refere que, desde 30 de Abril, diversas aldeias entre 15 e 35 quilómetros da Montepuez Ruby Mining (MRM) sofreram ataques que incluíram a destruição de igrejas e habitações, fenómenos que “assemelharam-se aos ataques observados noutras partes da província de Cabo Delgado”.

“Ainda que foram registados confrontos entre as forças locais e os atacantes na aldeia de Mesa, localizada a 29 quilómetros a leste das instalações da MRM, considerada a principal mina de rubis de Moçambique. Face ao agravamento da situação de segurança, as operações da mina foram interrompidas durante cerca de 20 horas, tendo sido retomadas a 1 de Maio.”

A empresa confirma igualmente que a aldeia de Naniviji, situada a 25 quilómetros a sudeste da mina, foi atacada a 13 de Maio, tendo várias residências sido incendiadas. No mesmo dia, as autoridades moçambicanas anunciaram a detenção de vários “falsos terroristas” no distrito de Ancuabe. Segundo a Gemfields, estes suspeitos “parecem ter explorado as preocupações de segurança existentes, imitando a presença de grupos insurgentes”, levando as populações a abandonar as suas casas antes de saquearem e incendiarem as propriedades.

Não obstante, a mineradora sublinha que os riscos para a operação não decorrem apenas da actividade insurgente, apontando também “ameaças decorrentes de actividade criminosa local, da presença de sindicatos de mineração ilegal de rubis e de factores mais amplos de desestabilização na região, incluindo dificuldades na aplicação adequada do Estado de direito”.

Apesar dos incidentes registados, a Gemfields afirma que “as condições melhoraram moderadamente” nas últimas semanas e que a actividade operacional regressou a uma situação de relativa normalidade, embora permaneça sob monitorização permanente.

A mineradora denuncia igualmente elevados níveis de mineração ilegal dentro da concessão, estimando que cerca de 700 pessoas entrem diariamente na área da exploração. Segundo a empresa, estas intrusões representam “um risco considerável para a segurança do pessoal, contratados e membros das comunidades”, além de contribuírem para a degradação dos recursos de rubis e para a redução das taxas de recuperação da mina. A Montepuez Ruby Mining é detida em 75% pela Gemfields e em 25% pela empresa moçambicana Mwiriti.

 

(Foto DR)

Jornaldigital

Jornaldigital

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *