Gás e energias renováveis colocam Moçambique no centro do debate energético africano – MozFlash24H
O País está a entrar numa nova fase de desenvolvimento do sector energético, marcada pelo retomar dos grandes projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL), pela expansão da produção de electricidade a partir do gás e pelo avanço de investimentos em energias renováveis.
De acordo com um comunicado da Câmara Africana de Energia, o cenário será discutido na African Energy Week (AEW) 2026, que decorrerá de 12 a 16 de Outubro, na Cidade do Cabo, África do Sul, numa sessão dedicada ao potencial de investimento no sector de gás e exploração a montante em Moçambique.
A retoma do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, constitui um dos principais factores desta nova fase. O projecto foi relançado integralmente em Janeiro deste ano, após uma suspensão de quase cinco anos, mobilizando actualmente mais de quatro mil trabalhadores. Com um investimento estimado em 20 mil milhões de dólares, prevê uma capacidade de produção de 12,9 milhões de toneladas de GNL por ano a partir da Área 1 da bacia do Rovuma, com a primeira produção a acontecer em 2029.
Há outros projectos a avançarem na bacia do Rovuma. A Eni tomou, em Outubro de 2025, a decisão final de investimento no projecto de GNL flutuante Coral Norte, avaliado entre 6 e 7 mil milhões de dólares, que deverá acrescentar 3,6 milhões de toneladas anuais de capacidade a partir de 2028.
Já o projecto Rovuma LNG, da ExxonMobil, avaliado em cerca de 24 mil milhões de dólares, avançou na engenharia preliminar e aproxima-se de uma decisão final de investimento. Em conjunto, os três grandes projectos poderão elevar a capacidade de produção de GNL de Moçambique para mais de 25 milhões de toneladas anuais no início da década de 2030.
De acordo com uma publicação do DE, além da exportação, o Governo pretende utilizar o gás natural para impulsionar a industrialização e aumentar o acesso à energia no mercado nacional. A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos trabalha no reforço das infra-estruturas de gasodutos e logística, com o objectivo de permitir que o gás da bacia do Rovuma abasteça consumidores nacionais e mercados internacionais.
A estratégia inclui igualmente a expansão da produção de electricidade a partir do gás, numa tentativa de responder ao défice de electrificação e apoiar o crescimento das actividades económicas. O Executivo pretende que o desenvolvimento do sector contribua também para a criação de emprego, o crescimento dos fornecedores nacionais e o aumento do conteúdo local.
Ao mesmo tempo, o País procura diversificar a sua matriz energética através das fontes renováveis. A energia hidroeléctrica representa actualmente cerca de 70% da produção nacional de electricidade, com destaque para a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, com capacidade instalada de 2075 megawatts.
A Estratégia de Transição Energética Justa prevê ainda a instalação de mais dois a quatro gigawatts de capacidade hidroeléctrica e dois gigawatts de energia solar até 2030. Projectos solares de grande escala e soluções de energia fora da rede estão também a ser desenvolvidos para apoiar a meta de acesso universal à electricidade até ao final da década.
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